in ,

De Belém para o Brasil, Ocean Sugar aposta no açúcar feito com algas

Três potes Ocean Sugar Light Sugar de tampas azuis sobre fundo que simula água.
Foto: divulgação

Foodtech brasileira apresenta produto com poder adoçante até 100 vezes maior que o açúcar comum e vendas online para todo o país

As algas marinhas ganharam uma nova aplicação na alimentação brasileira, desta vez como alternativa para adoçar alimentos e bebidas. Fundada em maio de 2026, a foodtech Ocean Sugar iniciou em setembro a comercialização de um açúcar desenvolvido com biotecnologia marinha, produzido em Belém, no Pará, e disponível para consumidores de todo o Brasil.

A proposta da empresa é oferecer um ingrediente com poder adoçante entre 50 e 100 vezes superior ao açúcar convencional, segundo informações da própria marca. Com isso, quantidades menores poderiam atingir o dulçor desejado, embora essa equivalência anunciada ainda dependa de comprovação técnica independente.

O desenvolvimento tem como base a EPS Algalyte™, apresentada pela companhia como uma molécula patenteada obtida de algas marinhas por meio de um processo biotecnológico. A tecnologia resulta de mais de duas décadas de pesquisas conduzidas pelo cientista Edson Paiva, responsável pela formulação.

Biotecnologia marinha chega às bebidas e sobremesas

Um dos objetivos da Ocean Sugar é combinar intensidade do dulçor com um perfil de sabor mais próximo ao do açúcar tradicional. A empresa afirma que o produto apresenta dissolução instantânea em líquidos quentes ou frios, sem deixar o retrogosto amargo associado a determinados adoçantes.

O ingrediente foi desenvolvido para entrar na rotina de preparo de cafés, chás, sucos e outras bebidas, além de aplicações em sobremesas que não dependem de caramelização.

Segundo Edson Paiva, o diferencial técnico está no processo utilizado para obter o composto de origem marinha, sem emprego de agentes químicos durante a extração. A tecnologia busca preservar as características do ingrediente e possibilitar sua utilização na alimentação.

Para receitas que exigem temperaturas elevadas, a companhia também anuncia o Ocean Sugar Cook, versão formulada para suportar até 220°C e permitir aplicações que envolvem dourar, caramelizar e conferir textura aos alimentos.

A versão culinária é apresentada no site oficial da marca, mas não aparecia entre os produtos disponíveis na loja online durante a consulta.

Composição e informações nutricionais merecem atenção

Embora a comunicação da empresa destaque a origem marinha, a lista de ingredientes apresentada no rótulo da loja inclui trealose, cálcio derivado da alga Lithothamnium calcareum e frutose de tâmara.

A tabela nutricional informa 266 kcal por 100 g, enquanto a porção indicada de 0,1 g apresenta valor energético declarado de zero caloria. Isso significa que a informação de zero caloria por porção não torna o produto inteiro isento de calorias.

O rótulo também informa que o produto não contém glúten. Já as afirmações sobre possíveis benefícios metabólicos, controle glicêmico e ausência de contraindicações não devem ser interpretadas como propriedades clinicamente comprovadas.

O próprio site da Ocean Sugar esclarece que suas alegações de saúde não foram avaliadas pela Anvisa, pelo FDA ou pela autoridade europeia EFSA. A alegação de aprovação pelo FDA, apresentada no material de imprensa, não pôde ser confirmada por documentação pública específica durante a apuração.

O lançamento chega em um momento no qual a indústria alimentícia amplia a oferta de alternativas para quem busca reduzir o consumo de açúcar, movimento que também aparece em sobremesas sem adição de açúcar. Ainda assim, composição, porção indicada e características nutricionais precisam ser consideradas individualmente.

Ocean Sugar começa vendas online e mira expansão

A empresa já comercializa o produto diretamente ao consumidor. Na loja oficial, a embalagem de 40 g custa R$ 69, enquanto a caixa com quatro unidades, totalizando 160 g, sai por R$ 249, conforme os valores consultados em outubro de 2026.

À frente do negócio está Marcelo Callegari, CEO da Ocean Sugar e fundador da Maias Partners, empresa de venture capital dos Estados Unidos que investiu na operação.

Além das vendas no varejo, a estratégia contempla parcerias com fabricantes de alimentos e bebidas interessados na aplicação da tecnologia em novas formulações.

A foodtech também pretende ampliar sua presença internacional e aumentar a capacidade produtiva. Entre as metas anunciadas está alcançar a fabricação de uma tonelada por dia até 2027, expandindo a operação instalada no Pará.

Para conhecer os produtos, consultar a composição e verificar as condições atuais de compra, o consumidor pode acessar o site oficial da Ocean Sugar ou a loja online, que informa realizar entregas em todo o território nacional. Dúvidas também podem ser encaminhadas para hello@oceansugars.com.

Ocean Sugar
Instagram:
@theoceansugar

Foto: divulgação
Fonte: Camila Callegarette

Compartilhe essa notícia!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Descubra mais sobre Gastronominho — Notícias de gastronomia, bebidas e eventos

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.