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Cup of Excellence 2026 premia 27 cafés brasileiros e consagra a Mantiqueira de Minas

Montagem do Cup of Excellence Brazil 2026 com homem segurando grãos de café, fazenda e mãos com grãos.
Foto: divulgação

Competição reuniu 641 amostras e premiou produtores de Minas Gerais, Bahia e São Paulo, com os três primeiros lugares conquistados por cafés Gesha

Três cafés da variedade Gesha, produzidos na Mantiqueira de Minas, conquistaram os primeiros lugares do Cup of Excellence Brazil 2026. A 27ª edição do concurso, realizada em 31 de outubro, em São Paulo, reconheceu 27 cafés especiais brasileiros da safra 2026/27, selecionados entre 641 amostras inscritas.

Os títulos ficaram com a Ipanema Agrícola, de Conceição do Rio Verde, e os produtores Cleverson Daniel da Silva e Hilda Cândida da Silva, ambos de Cristina, no Sul de Minas. Os três cafés ultrapassaram os 90 pontos na avaliação sensorial, resultado que também coloca seus lotes entre os principais destaques do leilão internacional previsto para dezembro.

Promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a ApexBrasil e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), o concurso avalia cafés arábicas por meio de degustações às cegas, considerando critérios como aroma, sabor, acidez, corpo, equilíbrio e qualidade geral da bebida.

Ipanema Agrícola conquista a maior nota da competição

O café de maior pontuação veio da Fazenda Rio Verde, propriedade da Ipanema Agrícola localizada em Conceição do Rio Verde, na Mantiqueira de Minas.

Com 92,25 pontos, o lote Gesha venceu a categoria Experimental, destinada a cafés submetidos a métodos de processamento inovadores, incluindo diferentes técnicas de fermentação.

O resultado representa o segundo título consecutivo da propriedade nessa categoria. Em 2025, a Fazenda Rio Verde também havia conquistado a primeira colocação, reforçando sua presença entre os produtores brasileiros de cafés de alta pontuação.

Na mesma disputa, Letícia Brás, do Sítio São Pedro, em Vargem Bonita, ficou em segundo lugar, com 90,13 pontos. A terceira colocação foi de Jair Brás, da Fazenda Campo Alegre, em Piumhi, que alcançou 90,10 pontos. Ambos representam a região do Café da Canastra, em Minas Gerais.

Cristina coloca dois produtores no topo do prêmio

No município de Cristina, dois sítios conquistaram os primeiros lugares das categorias tradicionais de processamento.

Cleverson Daniel da Silva, do Sítio Vargem Alegre, venceu a categoria Via Úmida com 91,31 pontos, utilizando um café Gesha. Essa modalidade reúne grãos submetidos a processos como descascamento, despolpamento ou desmucilagem após a colheita.

A segunda colocação também ficou em Cristina, com Eduardo Daniel da Silva, do Sítio Tarumã, que obteve 90,58 pontos. Em terceiro lugar apareceu Vitor Marcelo Queiroz Barbosa, da DBarbosa Coffee, responsável pela Fazenda Lagoa dos Estulanos, no Cerrado Mineiro, com 89,92 pontos.

Já na categoria Via Seca, destinada aos cafés naturais, secos com a casca e a polpa, a campeã foi Hilda Cândida da Silva, do Sítio Nossa Senhora das Candeias, também em Cristina. Seu Gesha recebeu 91,29 pontos.

O segundo lugar ficou com Flávio Márcio Ferreira da Silva, da Fazenda Olhos d’Água, em Campos Altos, com 90,88 pontos. Na sequência veio Jarbas Cleto Lopes, do Sítio Bela Vista, em São Gonçalo do Sapucaí, com 90,48 pontos.

A concentração dos primeiros lugares na Mantiqueira evidencia a qualidade alcançada pelos produtores da região. Também chama atenção a presença do Gesha nas três categorias vencedoras, variedade conhecida pelo perfil aromático floral e pela necessidade de cuidados específicos no cultivo e no processamento.

Bahia e São Paulo também aparecem entre os premiados

Embora Minas Gerais tenha concentrado as primeiras colocações, a lista de vencedores também inclui propriedades de outros estados.

Na Chapada Diamantina, em Piatã, Túlio Xavier Pina, da Fazenda Tijuco, conquistou a sexta posição na Via Úmida, com 87,50 pontos.

A Bahia também foi representada por Paulo Marcelo Zimmermann Filho, do Vale dos Três Morros, sexto colocado na Via Seca, com 88,02 pontos, e por João Florentino Barbosa, da Chácara União, que terminou em sétimo, com 87,65 pontos.

Em São Paulo, Arnaldo Alves Vieira, da Fazenda Baobá, em São Sebastião da Grama, alcançou a quinta colocação na Via Úmida, com 87,98 pontos. Na categoria Via Seca, Manassés Sampaio Dias, do Sítio Três Barras, em Divinolândia, ficou em décimo lugar, com 87,27 pontos.

Ao todo, a classificação oficial reúne dez cafés na Experimental, dez na Via Seca e sete na Via Úmida. A relação completa dos produtores, propriedades, variedades e notas está disponível no resultado oficial do Cup of Excellence Brazil 2026.

Orfeu e profissionais da avaliação recebem homenagens

Além dos resultados da safra, a cerimônia reconheceu trajetórias de profissionais e empresas que contribuíram para o desenvolvimento dos cafés especiais brasileiros.

A Orfeu Cafés Especiais foi homenageada pelo título internacional Legend of Excellence, distinção vitalícia concedida pela ACE a produtores com histórico consistente de qualidade no Cup of Excellence.

O reconhecimento já havia sido anunciado em abril de 2026. Durante a cerimônia de outubro, Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, recebeu a homenagem das mãos de Luiz Paulo Dias Pereira Filho, da Fazenda Santuário Sul, reconhecido anteriormente.

Outra novidade foi a criação do Prêmio Silvio Leite, dedicado aos profissionais responsáveis pela classificação sensorial dos cafés.

Os primeiros contemplados foram Ruhan Corrêia e Karoline Pereira, reconhecidos pela precisão e consistência de suas avaliações durante o concurso. A premiação inclui a participação dos dois como jurados no Cup of Excellence de Honduras, em 2027.

Leilão internacional será realizado em dezembro

Dos 641 cafés inscritos, 150 avançaram à fase nacional e 40 chegaram à avaliação internacional. Ao final do processo, 27 lotes atenderam aos critérios de premiação e conquistaram uma vaga no leilão virtual marcado para 10 de dezembro de 2026.

A comercialização internacional permite que torrefações e compradores especializados disputem lotes de produção limitada, cujos preços podem superar os valores convencionais praticados no mercado de café.

Um exemplo recente aconteceu em 16 de outubro, durante o leilão beneficente Legends of Excellence, realizado em Tóquio, no Japão.

Na ocasião, um café Gesha natural produzido por Luiz Paulo Dias Pereira Filho, da Fazenda Santuário Sul, foi arrematado por US$ 200 por libra-peso, equivalente a aproximadamente US$ 26.456 por saca de 60 kg.

Outro lote brasileiro, da Fazenda Sertãozinho, pertencente à Orfeu Cafés Especiais, alcançou US$ 151 por libra-peso, ou aproximadamente US$ 19.974 por saca.

Esses valores pertencem ao leilão de outubro, destinado aos produtores com o reconhecimento Legends of Excellence, e não representam os preços dos cafés vencedores do concurso de 2026, cuja comercialização ainda será realizada.

Criado no Brasil em 1999, o Cup of Excellence integra atualmente uma rede internacional de concursos e leilões que aproxima produtores de compradores especializados. A edição brasileira faz parte do projeto Brazil. The Coffee Nation, desenvolvido pela BSCA e pela ApexBrasil para ampliar a presença dos cafés especiais nacionais no mercado internacional.

O resultado de 2026 reúne diferentes origens, propriedades e métodos de processamento, com destaque para o trabalho dos produtores responsáveis por cada lote premiado.

Para consultar as classificações completas e acompanhar os próximos leilões, estão disponíveis os canais oficiais da Alliance for Coffee Excellence e da BSCA.

Associação Brasileira de Cafés Especiais — BSCA
Instagram: @bscaspecialtycoffee

Foto: divulgação
Fonte: BSCA / P1 Comunicação

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