Encontro acontece em 17 de outubro com pirarucu manejado, pato no tucupi, tambaqui na parrilla, atividades na natureza e conversas sobre o futuro da região
Pirarucu selvagem manejado no Médio Juruá, tucupi preto Wapixana, tambaqui na parrilla, jambu e cupuaçu vão atravessar o país para ocupar a mesma mesa no Paraná. No sábado, 17 de outubro de 2026, o Espaço Namata, em São José dos Pinhais, realiza uma edição especial do Dia da Amazônia, com atividades na natureza, almoço amazônico, palestra, roda de conversa e lançamento de livro.
Embora o Dia da Amazônia seja celebrado oficialmente em 5 de setembro, a programação paranaense acontece pouco mais de um mês depois e inaugura uma iniciativa que os organizadores pretendem repetir anualmente. Segundo a organização, o encontro também integra as comemorações pelos dez anos do Namata.
A proposta é aproximar o Sul do Brasil da Amazônia sem deixar a conversa restrita ao discurso ambiental. A comida entra como um dos caminhos para explicar origem, produção, comunidades, biodiversidade e geração de renda, colocando alguns ingredientes amazônicos e as pessoas por trás deles no centro da programação.
O evento é realizado pelo Espaço Namata em conjunto com o Instituto de Estudos Amazônicos, Imazon, Fundación Avina, ArteSã e Hospital Pequeno Príncipe, que também aparece como patrocinador. O tema desta primeira edição será Amazônia Linda e Próspera — como fazer desse futuro uma realidade.
Almoço coloca a origem dos ingredientes no centro da mesa
A parte gastronômica começa a ganhar forma ao meio-dia, depois das primeiras atividades ao ar livre. O almoço foi construído a partir de produtos associados a diferentes territórios e cadeias produtivas amazônicas.
Um dos destaques é o pirarucu selvagem de manejo comunitário fornecido pela ASPROC — Associação dos Produtores Rurais de Carauari. A organização atua no Médio Juruá, no Amazonas, com comunidades agroextrativistas, pescadores e ribeirinhos e mantém projetos relacionados ao manejo sustentável do pescado e à comercialização da produção local.
Outro ingrediente que aparece no cardápio é o tucupi preto Wapixana, de Roraima. Ele entra tanto em uma das pequenas entradas quanto em preparos que aproximam o almoço de técnicas e produtos de diferentes pontos da Amazônia.
O menu foi desenvolvido pelos proprietários do Namata com o cozinheiro-líder da casa, Marco Antonio Barros, natural de Manaus, e teve coautoria de Roberto Smeraldi, cozinheiro, jornalista, pesquisador e fundador da ArteSã.
Do dadinho de tapioca ao tambaqui na parrilla
O almoço começa em serviço volante, com dadinho de tapioca assado com geleia de cupuaçu, roll de banana-da-terra com pirarucu selvagem defumado, vol-au-vent com tomate confitado, queijo meia-cura Possamai e tucupi preto Wapixana e croqueta de cogumelos com aioli de tucupi.
Na Ilha Amazônica, em formato self-service, entram salada de folhas com castanhas-do-brasil, queijo coalho e pesto de jambu, mandioca cozida na manteiga, mandioca frita, farinhas de mandioca de Uarini e d’água e caldeirada amazônica.
No principal, cada participante escolhe uma das três opções:
- Pato no tucupi com arroz branco
- Moqueca de banana-da-terra e palmito com arroz de coco, opção vegana
- Banda de tambaqui selvagem assada na parrilla com arroz amazônico ao tucupi
Para fechar, a sobremesa combina cacau, coco, cupuaçu e castanha em uma torta acompanhada de creme de cupuaçu e crumble.
O percurso ajuda a colocar procedência e cadeia produtiva no mesmo prato. No caso do pirarucu, por exemplo, o ingrediente está ligado a um modelo de manejo que associa pesca, monitoramento dos estoques, organização comunitária e geração de renda no Médio Juruá.
Programação começa pela mata e termina com livro
Antes do almoço, o evento começa às 10h, com atividades externas. A programação divulgada prevê pilates, yoga, trilha e visitação ao Espaço Namata.
Ao meio-dia, a agenda passa para as entradinhas amazônicas e a apresentação da proposta do espaço, seguida pelo almoço.
Às 15h, começa o encontro Amazônia Linda e Próspera, com uma palestra de Beto Veríssimo, cofundador do Imazon e pesquisador ligado há décadas a estudos sobre conservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Depois da apresentação, uma roda de conversa mediada por Fernando Allegretti, sócio-fundador do Namata e um dos idealizadores da programação, reúne Beto Veríssimo, a antropóloga Mary Allegretti, Juliana Strobel, José Álvaro Carneiro, a arquiteta e sócia do espaço Liliane Robacher e o ambientalista Luiz Villares.
Às 16h30, Villares encerra a programação anunciada com o lançamento de Ecos do Antropoceno — Legados, interesses e caminhos, publicado pela Casa Matinas. A obra discute mudanças climáticas, perda de biodiversidade e outros desafios ambientais a partir também de questões econômicas e das possibilidades de desenvolvimento relacionadas à Amazônia.
Um encontro entre Mata Atlântica e Amazônia
A escolha do Namata como sede cria uma conexão geográfica curiosa para a proposta. O espaço fica em São José dos Pinhais, cercado por vegetação de Mata Atlântica e araucárias, enquanto o cardápio e boa parte da discussão do dia olham para a Amazônia.
Um dos ambientes utilizados é o Domo Geodésico, estrutura de madeira de reflorestamento instalada entre as árvores. O espaço mantém ainda áreas externas e trilha utilizadas em atividades de contato com a natureza.
Fernando Allegretti e Liliane Robacher têm parte de suas trajetórias profissionais ligada à Amazônia. Fernando atua há décadas com sustentabilidade, desenvolvimento comunitário e gestão de recursos naturais, enquanto Liliane é arquiteta e urbanista e participou da concepção do Namata.
A ideia desta primeira edição é que a aproximação não termine depois do almoço. Ao colocar na mesa ingredientes rastreáveis, organizações comunitárias e diferentes atores da agenda socioambiental, o encontro tenta transformar uma discussão bastante ampla em algo um pouco mais palpável — e, neste caso, também comestível.
As vagas são limitadas. O valor antecipado divulgado é de R$ 125 por pessoa, com as atividades externas e o almoço incluídos; as bebidas são cobradas separadamente. As reservas podem ser feitas diretamente pelo WhatsApp (41) 99236-9257. Informações sobre o espaço também estão disponíveis no site oficial do Namata.
Dia da Amazônia no Espaço Namata
Data: 17 de outubro de 2026, sábado
Horário: a partir das 10h
Local: Espaço Namata
Rua Marcos Foggiatto, 121 – Aristocrata – São José dos Pinhais – PR – 83030-162
Valor: R$ 125 por pessoa na compra antecipada, incluindo atividades externas e almoço; bebidas cobradas à parte
Espaço Namata
Instagram: @espaconamata
Foto: divulgação
Fonte: Conceito Assessoria – Sumi Costa
Um designer gráfico autônomo que é apaixonado por gastronomia e começou essa aventura através das hamburguerias, sempre visitando novos lugares e experimentando novos sabores. Em todos os lugares, estamos passando por uma experiência visual junto com a gastronômica.
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