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Sur Vermut chega a São Paulo enquanto o Brasil descobre a bebida, diz Renato Chiappetta

Foto: divulgação

Criador da San Basile fala sobre botecos, Rabo de Galo e a nova produção latino-americana antes do encontro de 20 de setembro

No domingo, 20 de setembro de 2026, o Sur Vermut ocupa o HiFi Community, na Vila Leopoldina, em São Paulo, com degustações, workshops, música e produtores de sete países latino-americanos.

Às vésperas da primeira edição brasileira do encontro, Renato Chiappetta, criador da San Basile Destilaria e coprodutor do evento ao lado da uruguaia Vermut Flores, chama atenção para uma particularidade do mercado nacional: por aqui, o vermute talvez esteja menos em fase de retorno e mais de descoberta.

“Aqui ele está sendo descoberto, o que é diferente de ser redescoberto”, afirma Chiappetta.

A frase ajuda a explicar uma bebida que circula pelo balcão brasileiro há décadas, mas nem sempre é reconhecida pelo nome. Martini e Cinzano ajudaram a manter o vermute presente em botecos, enquanto a mistura com cachaça abriu outro caminho bastante brasileiro por meio do Rabo de Galo.

Para Chiappetta, essa história criou familiaridade sem necessariamente formar uma cultura ampla de consumo da categoria. Muita gente conhece determinadas marcas ou coquetéis sem associá-los diretamente ao universo do vermute.

Do boteco para uma nova hora do aperitivo

A ligação com os botecos permanece importante, mas uma nova geração de produtores procura ampliar as ocasiões de consumo. Em países como Argentina e Uruguai, beber vermute com gelo antes das refeições ou durante encontros informais integra um ritual social mais estabelecido.

É esse imaginário que o Sur Vermut pretende aproximar do público brasileiro. A proposta passa por provar a bebida fora da função de ingrediente de coquetel, colocando-a também no copo com gelo, acompanhando uma conversa, um almoço, um churrasco ou o começo da noite.

Segundo Chiappetta, o mercado nacional ainda é pequeno quando comparado ao de países vizinhos. O crescimento aparece principalmente dentro da coquetelaria, de bares e restaurantes e, mais recentemente, entre consumidores ligados ao vinho.

“Ainda é um produto de nicho”, resume. Ao mesmo tempo, ele vê justamente nesse estágio um espaço para produtores brasileiros trabalharem novas referências e apresentarem a categoria a quem ainda não sabe exatamente o que existe dentro daquela garrafa.

Vinho e botânicos colocam território dentro do vermute

Parte da movimentação recente na América Latina está na maneira de escolher a própria base da bebida. O vinho deixou de ocupar apenas um papel neutro antes da entrada de ervas e especiarias.

Tannat e Albariño no Uruguai, Malbec e Torrontés na Argentina e outras variedades associadas aos territórios de origem passaram a participar diretamente da construção sensorial dos rótulos. Para Chiappetta, o vinho-base pode ter tanta importância quanto os botânicos na personalidade de determinados vermutes.

A outra metade dessa identidade cresce no jardim, na mata e na despensa. Ervas, raízes, flores, frutas, cascas e especiarias encontradas em diferentes regiões latino-americanas dão aos produtores um vocabulário próprio, menos interessado em simplesmente reproduzir receitas europeias.

A relação mais recente enviada pela organização ao Gastronominho reúne Avelino, Companhia dos Fermentados, Enraízes, Flores, Gargalo, La Finca, La Fuerza, La Vermuteria, San Basile, Stravatto, Suspírito, Tero, VDC e Yerbasanta, representando Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

A Enraízes aparece nessa versão mais recente do material com seu Vermute Rosso. Até a apuração desta matéria, em 14 de setembro, páginas públicas consultadas sobre o evento ainda exibiam a relação anterior, com 13 participantes. Por isso, possíveis ajustes de última hora podem ser acompanhados pelo @survermut.

Workshops aproximam quem bebe de quem produz

O encontro também abre espaço para discutir como esses vermutes chegam à garrafa.

Um dos workshops reúne Seba Despis, da La Finca Vermuteria, e Mari Mesquita, profissional ligada a bebidas, análise sensorial e formação sobre vermutes.

A segunda atividade será conduzida por Juan Faillace, sommelier argentino radicado no México, fundador da Stravatto e conhecido como El Gurú del Vermut.

A programação aproxima consumidores de bartenders, sommeliers, produtores, importadores, chefs e outros profissionais do setor. Para quem produz, a troca também ajuda a colocar no mesmo espaço questões de técnica, matéria-prima, mercado e circulação das marcas latino-americanas.

As duas primeiras edições do Sur Vermut aconteceram em Montevidéu, em 2024 e 2025, sob produção da Vermut Flores. A passagem por São Paulo marca a primeira realização brasileira, coproduzida com a San Basile.

Degustação livre no HiFi Community

O ingresso inclui copo oficial do evento, degustação livre nas bancadas dos produtores e acesso aos workshops e oficinas.

O HiFi Community completa a tarde com DJs e sua operação de gastronomia e coquetelaria. Comidas, petiscos e coquetéis da casa serão cobrados separadamente.

Se a intenção do encontro é mostrar que o vermute pode ocupar mais lugares do que o interior de um Negroni, a edição brasileira chega justamente em um momento no qual essa discussão começa a encontrar mais garrafas, produtores e curiosos por aqui.

O conteúdo sobre bebidas alcoólicas é destinado a maiores de 18 anos. Beba com moderação.

Os ingressos custam R$ 50 e estão disponíveis pela Sympla, enquanto houver disponibilidade. Informações e eventuais alterações na programação podem ser acompanhadas pelo @survermut.

Sur Vermut – Brasil
Data: 20 de setembro de 2026
Horário: das 12h30 às 19h
Local: HiFi Community
Endereço: Rua Mergenthaler, 1177 – Vila Leopoldina – São Paulo – SP – 05311-030
Valor: R$ 50

Sur Vermut
Instagram: @survermut

Foto: divulgação
Fonte: Sergio Crusco – Bribba Castro

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