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Sur Vermut reúne 13 marcas de sete países em São Paulo

Foto: divulgação

Evento acontece em 20 de setembro no HiFi Community, com degustação livre, workshops e produtores de Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai

São Paulo recebe no domingo, 20 de setembro de 2026, a terceira edição do Sur Vermut – Encuentro Vermutero Latinoamericano e a primeira realizada no Brasil. Das 12h30 às 19h, o HiFi Community, na Vila Leopoldina, reúne 13 marcas de Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai para uma programação com degustação livre, workshops, música e gastronomia.

A casa que recebe o encontro combina restaurante, bar e programação musical e já apareceu no Gastronominho na matéria sobre a chegada do HiFi Community à Vila Leopoldina.

As duas primeiras edições do Sur Vermut aconteceram em Montevidéu, em 2024 e 2025, produzidas pela uruguaia Vermut Flores. Na passagem por São Paulo, a organização é realizada em parceria com a brasileira San Basile Destilaria.

A mudança de país acompanha uma cena que vem ganhando novas marcas e abordagens na América Latina. Em vez de simplesmente reproduzir estilos europeus, diferentes produtores passaram a colocar no centro das receitas vinhos, frutas, ervas, flores, raízes, cascas e especiarias associados aos territórios onde trabalham.

A proposta do encontro também passa por recuperar o vermute como aperitivo. Conhecido por sua presença em clássicos da coquetelaria, ele pode ser servido puro, gelado, com gelo ou acompanhado de água com gás e outros complementos, um hábito presente há décadas em países como Argentina, Uruguai, Espanha e Itália.

Treze produtores e diferentes caminhos dentro da mesma categoria

A edição brasileira apresenta uma fotografia diversa da produção latino-americana. Seis das 13 marcas são brasileiras, acompanhadas por projetos de outros seis países.

Do Peru chega a Avelino, que produz pequenos lotes a partir de uvas e botânicos peruanos. O Rojo leva vinho da uva Itália e 28 botânicos; o Rosa trabalha com Quebranta e 21 ingredientes aromáticos; e o Reserva parte da linha tinta e passa por barricas de carvalho francês.

A paulistana Companhia dos Fermentados amplia bastante a ideia tradicional de vinho-base. Seu portfólio de vermús inclui versões elaboradas com fermentados de caju, jabuticaba e mel, além de receitas com cerveja e café. Botânicos brasileiros como catuaba, jurubeba, jerivá e guaçatonga também aparecem em diferentes criações.

Do Uruguai, a Vermut Flores coloca a vinicultura local no centro da garrafa. Rojo e Rosado têm mais de 75% de suas receitas baseadas em Tannat, enquanto o Blanco parte de Albariño. A fórmula é complementada por uma seleção de 27 botânicos entre raízes, cascas, frutos, ervas e flores.

A marca mantém ainda um perfil dedicado à operação brasileira, o @vermutfloresbr.

Em Curitiba, o Gargalo trabalha o vermute como bebida para ser consumida também fora da coquetelaria. Entre suas criações está um rosado com cataia, catuaba, guaco e erva-mate tostada.

Para o Sur Vermut, a marca anuncia ainda um novo tinto com ingredientes como pixuri, fava de aridã, sassafrás, erva-mate verde e folhas de graviola.

Criada em Paraty em 2022, a La Finca leva referências do litoral brasileiro às receitas. O Mata Atlântica, um dos rótulos da casa, utiliza botânicos como pitanga, pacová e noz-moscada.

A vermuteria já apareceu no Gastronominho durante uma noite dedicada aos vermutes da La Finca em São Paulo.

Na Argentina, a La Fuerza trabalha diretamente com variedades emblemáticas do país. O Rojo parte de Malbec, enquanto o Blanco utiliza Torrontés. O projeto também explora botânicos dos Andes em outras criações, como Primavera en los Andes e La Fuerza Sideral.

A paraguaia La Vermuteria une produção de vermute, bar, gastronomia e música em Assunção. A casa trabalha quatro versões próprias, que passam por perfis herbais, frutados, cítricos e combinações com notas de chocolate e baunilha.

A San Basile Destilaria, de São Paulo, participa tanto da seleção de produtores quanto da realização brasileira do encontro.

Sua linha passa pelo Rosso, de referência italiana, por versões Dry e Extra Dry e pelo Merlot Quinado, que aproxima o vermute dos tradicionais vinhos quinados.

A relação brasileira ganhou ainda a Suspírito, produzida em Flores da Cunha, na Serra Gaúcha. O vermute utiliza vinho de Chardonnay, Riesling e Trebbiano e uma infusão com mais de 32 ingredientes, entre cereja, figo turco, baunilha, losna, hibisco, limão-siciliano e tâmaras.

A marca também trabalha uma versão com passagem por madeira francesa anteriormente utilizada para Chardonnay.

Do México, a Stravatto combina vinho mexicano e botânicos em versões como Bianco, Classico Rosso e Rosso Dry.

A marca foi criada por Juan Faillace, sommelier argentino radicado no México e conhecido como El Gurú del Vermut.

O Tero, de Botafogo, representa o Rio de Janeiro com os vermutes produzidos para a própria casa. São quatro perfis — Branco, Tinto, Laranja e Rosé — servidos puros e também utilizados na coquetelaria do bar.

O estabelecimento já apareceu no Gastronominho em uma matéria sobre a renovação do cardápio do Bar Tero.

O segundo representante mexicano é o VDC – Vermut de Casa, projeto ligado à cultura vermuteira da Cidade do México.

O tinto parte de Malbec produzido em Querétaro e reúne 21 botânicos. O projeto mantém ainda relação próxima com o Carmel, bar onde o vermute ganhou espaço à mesa e no balcão.

Completando os 13 participantes está a boliviana Yerbasanta, produzida pela Master Blends com vinhos cultivados nos vales andinos de Tarija.

O Blanco Andino combina Moscatel de Alexandria com rica-rica, k’hoa, molle e outras plantas da região. Já o Rosso Amazónico aproxima a losna e a carqueja de ingredientes como cupuaçu, abacaxi e cítricos.

Workshops colocam produção e botânicos no centro da conversa

Além das bancadas de degustação, o Sur Vermut terá dois workshops dedicados ao processo de produção e à cultura da bebida.

Um deles reúne Seba Despis, sócio-fundador da La Finca, e Mari Mesquita, bartender, barista e consultora que trabalha com desenvolvimento de bebidas, análise sensorial e cursos de vermute.

A dupla já realizou diferentes edições do curso Vamos Fazer Vermut?, combinando atividades teóricas e práticas.

O segundo encontro será conduzido por Juan Faillace, fundador da Stravatto e conhecido como El Gurú del Vermut.

Argentino radicado no México, o sommelier atua há anos na formação de uma comunidade em torno da bebida e na produção de vermutes mexicanos.

Bartenders, sommeliers, chefs, importadores, produtores e outros profissionais do setor também fazem parte do público esperado, transformando a programação em um ponto de encontro tanto para consumidores quanto para quem trabalha diretamente com bebidas e gastronomia.

O vinho continua importante dentro da garrafa

O vermute é uma bebida produzida a partir de vinho aromatizado e fortificado com botânicos, tendo a losna entre os ingredientes historicamente associados à categoria.

Ao longo dos séculos, Turim, na Itália, e Chambéry, na França, se consolidaram como referências. A cultura atravessou fronteiras e chegou à América do Sul também por meio da imigração europeia, ganhando novas leituras conforme diferentes países passaram a produzir suas próprias versões.

A cena latino-americana atual chama atenção justamente por devolver protagonismo ao vinho. Tannat e Albariño no Uruguai, Malbec e Torrontés na Argentina, Quebranta e Itália no Peru e Moscatel de Alexandria na Bolívia são exemplos de variedades utilizadas pelos participantes do encontro.

Em paralelo, botânicos locais ajudam a construir identidades próprias. Mata Atlântica, Andes, Amazônia, Serra Gaúcha e diferentes regiões do Peru aparecem nas receitas por meio de frutas, folhas, raízes, flores, ervas e especiarias.

O vermute também permanece indispensável em diversas receitas clássicas. Negroni, Manhattan, Martinez e diferentes versões de Dry Martini utilizam vermute em suas formulações, enquanto no Brasil a bebida encontrou uma ligação própria com a cachaça por meio do Rabo de Galo.

No Sur Vermut, porém, a proposta é mostrar que a história da bebida não termina na coqueteleira.

Degustação livre e gastronomia no HiFi Community

O ingresso inclui copo oficial do Sur Vermut, degustação livre nas bancadas dos produtores e acesso aos workshops e oficinas.

Durante a degustação, o público poderá provar os diferentes vermutes apresentados e conversar diretamente com representantes das marcas, comparando estilos, matérias-primas e maneiras de consumo.

A programação terá ainda DJs e a estrutura gastronômica do HiFi Community, que combina restaurante, bar e música na Vila Leopoldina. Comidas, petiscos e coquetéis preparados pelo local serão vendidos separadamente.

Os ingressos estão anunciados por R$ 50 e podem ser adquiridos pela Sympla, enquanto houver disponibilidade.

Informações e possíveis atualizações da programação são divulgadas pelo @survermut.

Por se tratar de uma programação centrada em bebidas alcoólicas, a degustação é destinada a maiores de 18 anos. Beba com moderação.

Sur Vermut – Brasil
Data: 20 de setembro de 2026
Horário: das 12h30 às 19h
Local: HiFi Community
Endereço: Rua Mergenthaler, 1177 – Vila Leopoldina – São Paulo – SP – 05311-030
Valor: R$ 50

Sur Vermut
Instagram: @survermut

Foto: divulgação
Fonte: Sergio Crusco – Bribba Castro

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