Vinícola familiar de Faenza aposta em variedades autóctones, Sangiovese e garrafas assinadas por artistas para apresentar outra face do vinho italiano
Nem toda Itália do vinho passa por Toscana, Piemonte ou Vêneto. A Poderi Morini começa sua trajetória no mercado brasileiro olhando justamente para uma região menos presente nas prateleiras por aqui: a Romagna, onde a vinícola trabalha com Sangiovese, Albana e castas autóctones como Centesimino e Longanesi.
Fundada em 1998 por Alessandro Morini, com o apoio do pai, Natale, e da esposa, Daniela, a produtora nasceu com a proposta de recuperar e valorizar variedades ligadas ao território romagnolo. As vinhas estão concentradas na região de Faenza, especialmente nas colinas de Oriolo.
A chegada ao Brasil é conduzida pelo empresário Fabricio Morini, que também atua na operação brasileira da fabricante de motocicletas Moto Morini. Segundo o material de lançamento da marca, os vinhos devem ocupar uma faixa entre R$ 200 e R$ 600 no mercado nacional.
Os canais de venda e os valores individuais dos rótulos ainda não foram detalhados. A estratégia inicial está concentrada na apresentação da vinícola, das castas e da identidade da Romagna ao mercado brasileiro.
A primeira movimentação da marca no país foi ligada ao I Love Italian Wines 2026, roadshow promovido pela ICE – Italian Trade Agency em colaboração com Vinitaly e Wine South America, com etapas realizadas entre 11 e 18 de setembro em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Uma Romagna menos conhecida na taça
O ponto de partida do portfólio é uma mistura entre variedades reconhecidas dentro do vinho italiano e uvas que ainda exigem alguma apresentação para boa parte do público brasileiro.
Entre os brancos aparece o Sette Note, elaborado com Albana nas colinas de Monte Coralli, em Faenza. O vinho leva a classificação Romagna Albana DOCG Secco e atualmente é vinificado em aço, com afinamento em garrafa.
A Albana ocupa um capítulo importante da viticultura italiana. A denominação recebeu o reconhecimento DOCG em 1987 e ficou conhecida por ser a primeira dedicada a um vinho branco a alcançar a classificação no país.
No Sangiovese, a Poderi Morini trabalha diferentes interpretações. O Torre di Oriolo, produzido em Oriolo, segue um perfil mais direto, com vinificação em aço e breve passagem em garrafa.
Já o Nonno Rico tem peso histórico dentro da própria vinícola. O Sangiovese Riserva foi o primeiro vinho importante vinificado pela Poderi Morini em 1998 e leva o nome do avô paterno de Alessandro Morini.
Centesimino sai do anonimato
É com a Centesimino, porém, que a história começa a ficar menos familiar para quem costuma circular apenas pelas castas italianas mais conhecidas.
A própria trajetória da Poderi Morini está ligada à recuperação dessa variedade. Alessandro Morini relata ter encontrado, no final dos anos 1990, uma fileira de videiras que se comportava de maneira diferente do Sangiovese existente na propriedade. Análises posteriores identificaram a uva como Centesimino.
Hoje, ela aparece em diferentes estilos dentro do portfólio.
O Savignone é um Romagna Centesimino DOC Oriolo produzido com a variedade em pureza. O vinho apresenta perfil aromático associado a frutas vermelhas, flores e especiarias e leva no rótulo uma obra de Pablo Echaurren.
A mesma uva assume outra leitura no Morosé, espumante brut rosé elaborado pelo método Charmat. O rótulo é assinado pelo ceramista de Faenza Gian Franco Morini.
Essa diferença entre um tinto tranquilo e um espumante produzidos a partir da mesma casta ajuda a mostrar por que a vinícola colocou a Centesimino no centro de seu trabalho de recuperação de variedades locais.
Longanesi aparece em versão de longa guarda
Outra uva pouco difundida fora da Romagna é a Longanesi, trabalhada pela casa no Augusto.
Produzido em Oriolo di Faenza, o tinto utiliza Longanesi em pureza e passa por um processo mais longo de amadurecimento, com 24 meses em tonneaux e outros 18 meses em garrafa.
A garrafa também mantém a relação da vinícola com as artes visuais. O rótulo do Augusto é assinado por Pablo Echaurren.
A combinação de Albana, Centesimino e Longanesi coloca a chegada da Poderi Morini ao Brasil menos no campo de “mais um vinho italiano” e mais na apresentação de variedades que dificilmente aparecem como primeiras referências quando se fala na produção do país.
“Não queremos simplesmente colocar mais um vinho italiano na prateleira. Há uma oportunidade de apresentar novas uvas, novas histórias e um território. É isso que torna esse projeto interessante”, afirma Fabricio Morini.
Os artistas também entram na garrafa
O diálogo com a arte acompanha a Poderi Morini desde sua fundação. A vinícola convida artistas para degustar os vinhos e desenvolver uma interpretação visual destinada aos rótulos.
Entre os primeiros nomes envolvidos está Pablo Echaurren, artista ligado à pintura, cerâmica, ilustração, quadrinhos e literatura. Além do Savignone e do Augusto, ele assina o rótulo do Nonno Rico.
O Sette Note leva trabalho de Giuliano Della Casa, pintor, aquarelista e ceramista de Modena.
Já o ceramista Gian Franco Morini aparece nas garrafas do Morosé e do Torre di Oriolo.
Mais do que criar uma coleção visualmente diferente, a escolha conecta o vinho a outro elemento importante da identidade de Faenza, cidade internacionalmente associada à tradição da cerâmica.
É uma forma de apresentar a Romagna para além de sua costa e dos destinos turísticos mais conhecidos, aproximando vinhedos, castas locais, produção artística e memória familiar.
Estreia no Brasil abre uma nova frente para a vinícola
A entrada da Poderi Morini acontece em um momento em que produtores italianos buscam ampliar a variedade de regiões e denominações apresentadas ao mercado brasileiro.
O I Love Italian Wines 2026, escolhido para a primeira exposição da marca no país, reuniu produtores de diferentes áreas da Itália em quatro capitais brasileiras. A edição teve aproximadamente 60 expositores e cerca de 1.000 rótulos, segundo a programação divulgada pelo evento.
Para a Poderi Morini, a participação funciona como começo de uma construção de mercado mais longa.
“O brasileiro conhece e admira o vinho italiano, mas a Itália vitivinícola é muito maior do que as regiões que já conquistaram espaço por aqui. A Romagna tem uvas, produtores, gastronomia, arte e uma identidade muito própria”, afirma Fabricio Morini.
A próxima etapa será transformar essa apresentação em presença comercial. Por enquanto, a empresa ainda não divulgou uma relação completa de pontos de venda, importadores ou disponibilidade de cada rótulo no Brasil.
O conteúdo sobre vinhos e bebidas alcoólicas é destinado a maiores de 18 anos. Beba com moderação.
Poderi Morini
Instagram: @poderimorini_winery
Foto: divulgação
Fonte: Camejo Comunicação
Sommelier de cervejas, Mestre em Estilos, Publicitária, Produtora de eventos.
Apreciadora de bons drinks, avessa à cebola e comidas de texturas questionáveis.
Descubra mais sobre Gastronominho — Notícias de gastronomia, bebidas e eventos
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Comentários
Loading…