Microlote de Manasses Oykoeter Suruí liderou disputa com 150 amostras e terá suas sacas compradas por R$ 5 mil cada
Um café produzido por Manasses Oykoeter Suruí, do povo Paiter Suruí, conquistou 91,11 pontos e o primeiro lugar na 8ª edição do Concurso Tribos, realizada em 14 de outubro de 2026, em Cacoal, Rondônia. Promovida pela Rituais Cafés Especiais, marca do Grupo 3corações, a competição reuniu 150 amostras de Robusta Amazônico cultivado por produtores indígenas.
A edição registrou recorde de inscrições, maior participação feminina e o maior número de cafés acima dos 90 pontos desde a criação do concurso. A avaliação dos dez melhores microlotes foi conduzida pelo especialista Silvio Leite e, pela primeira vez, contou com a chancela da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).
O café vencedor apresentou notas de jasmim, chá verde, cacau, doce de leite e ameixa em calda, acompanhadas por nuances de especiarias, caramelo e chocolate branco. Na xícara, o perfil inclui corpo cremoso, acidez refrescante e finalização doce e persistente.
“É uma grande alegria para mim e para a minha família, porque é o resultado de um trabalho que fazemos desde o plantio até a colheita, até chegar à xícara”, afirmou Manasses Oykoeter Suruí, ao comentar a conquista.
Projeto Tribos combina qualidade do café e geração de renda
Criado em 2019, o Projeto Tribos atua junto a comunidades indígenas de Rondônia para desenvolver a cafeicultura, melhorar a qualidade dos grãos e ampliar as oportunidades de comercialização.
Atualmente, a iniciativa reúne 169 famílias de 35 aldeias e sete etnias, com impacto estimado em cerca de 2 mil indígenas. Segundo o Grupo 3corações, os investimentos acumulados chegam a R$ 20 milhões, enquanto a compra da produção das comunidades parceiras já ultrapassou 730 toneladas de café.
O trabalho envolve assistência técnica, infraestrutura, capacitação e parcerias com instituições como Funai, Embrapa e Emater-RO. Um dos compromissos da marca é adquirir 100% da safra das famílias participantes, com pagamento adicional conforme a qualidade alcançada.
A comercialização dos microlotes especiais também integra esse modelo, com 100% do lucro revertido às comunidades indígenas.
A evolução da produção tem relação com o manejo das lavouras nas Terras Indígenas Sete de Setembro e Rio Branco, onde o café já era cultivado havia décadas. Com o apoio técnico e os conhecimentos dos próprios produtores, os grãos passaram a conquistar avaliações cada vez mais altas.
Um dos resultados desse trabalho apareceu em 2024, quando um Robusta Amazônico do projeto recebeu a pontuação máxima de 100 pontos. O café chegou posteriormente ao mercado em uma edição especial da 3 Corações.
Premiação valoriza sacas acima dos preços de mercado
A 8ª edição distribuiu mais de R$ 130 mil em premiações e valorização dos cafés finalistas, conforme os valores divulgados pela organização.
Manasses recebeu um prêmio de R$ 25 mil, além da compra de suas sacas por R$ 5 mil cada. Como comparação, a organização informou uma referência de aproximadamente R$ 900 por saca para o café commodity nesta safra.
O segundo colocado, Joel Oyyeter Suruí, que alcançou 90,68 pontos, recebeu R$ 15 mil e teve as sacas valorizadas em R$ 4,5 mil cada. Já Goemanhama Rifate Suruí, terceiro lugar com 90,57 pontos, ganhou R$ 10 mil, com compra das sacas a R$ 4 mil.
Do quarto ao décimo lugar, os cafés foram adquiridos por R$ 3 mil a saca, além de prêmios adicionais conforme a classificação.
A organização também anunciou que os participantes que enviaram amostras e atenderam ao regulamento terão seus cafés comercializados de forma personalizada na linha Rituais.
Jovens indígenas ganham espaço como baristas
Além da avaliação dos grãos, a programação reuniu a Copa Barista e a Copa Harmonizações, duas competições voltadas à formação profissional e à participação das novas gerações na cadeia produtiva do café.
A Copa Barista surgiu das conversas entre os coordenadores do projeto e as lideranças indígenas, com o objetivo de capacitar jovens para atuar no preparo e no serviço de cafés especiais. Em duas edições, 56 participantes já receberam formação.
Na Copa Harmonizações, os jovens que participaram da primeira turma voltaram com o desafio de apresentar bebidas autorais utilizando Robusta Amazônico.
Um dos vencedores foi Thomas Oypagawaromb Flegler Suruí, de 19 anos, com a criação Aurora Tropical, preparada com café coado, suco de laranja, xarope de maçã verde e água com gás.
O outro destaque foi Pamasoe Sameiwai E Waled Ibikayed Estéfane Suruí, de 24 anos, autor da bebida Pamasoe, que combina café, suco de coco, xarope de pêssego, água tônica e limão.
A participação feminina também cresceu. Das 150 amostras recebidas pelo concurso principal, 43 foram inscritas em nome de mulheres produtoras, o maior número já registrado pela iniciativa.
Os dez melhores cafés do Concurso Tribos 2026
A classificação final reuniu produtores com pontuações entre 89,61 e 91,11 pontos.
- Manasses Oykoeter Suruí – 91,11 pontos
- Joel Oyyeter Suruí – 90,68 pontos
- Goemanhama Rifate Suruí – 90,57 pontos
- Iremar Suruí – 90,29 pontos
- Denilson Suruí – 90,07 pontos
- Eleno Suruí – 89,86 pontos
- Maria Kawangawa Cinta Larga Suruí – 89,86 pontos
- Motira Labiway Suruí – 89,71 pontos
- Wilson Suruí – 89,68 pontos
- Ferrari Suruí – 89,61 pontos
A cerimônia contou com a participação de mais de 600 indígenas, além de lideranças das comunidades, representantes das instituições parceiras e especialistas em café. Entre os presentes estavam o presidente do Grupo 3corações, Pedro Lima, e o cacique geral Almir Suruí.
Desde sua primeira edição, o Concurso Tribos já adquiriu mais de 1.200 sacas de microlotes especiais, ampliando a presença dos cafés produzidos pelas comunidades indígenas no mercado brasileiro.
Mais informações sobre a iniciativa e os cafés do projeto estão disponíveis no site oficial do Projeto Tribos. A disponibilidade comercial do microlote vencedor de 2026 ainda não foi confirmada.
Rituais Cafés Especiais
Instagram: @rituaiscafesespeciais
Foto: divulgação
Fonte: Weber Shandwick
Um designer gráfico autônomo que é apaixonado por gastronomia e começou essa aventura através das hamburguerias, sempre visitando novos lugares e experimentando novos sabores. Em todos os lugares, estamos passando por uma experiência visual junto com a gastronômica.
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